Por que o frio assusta tanto?

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09/09/2015

Há quem diga que é fã de inverno e defende a estação mais fria do ano com “unhas e dentes”. Porém, na hora de escolher o destino para o futuro intercâmbio, a maioria acaba optando por opções de cidades mais quentes e com um inverno não tão rigoroso. Mas por que o frio assusta tanto?

O frio e a neve assustam os mais friolentos e deslumbram os olhos daqueles que são mais destemidos e apaixonados por natureza. Porém, na hora de embarcar para um país com temperaturas negativas, não é só aquele friozinho na barriga que se faz presente. Ao chegar ao país de destino, antes mesmo de descer da aeronave, você se depara com aquele frio que está do lado de fora, com aquele cenário de filme natalino e o pensamento desesperado de que roupa nenhuma te fará ficar aquecido. Bem-vindo ao mundo gelado do inverno!

Quem viaja para países frios sempre será bombardeado de perguntas e dicas de como manter-se aquecido. Acostume-se com perguntas afirmativas como “nossa, mas lá não é muito frio? Ouvi dizer que as pessoas não saem de casa” ou “você terá que andar com 5 casacos, nem conseguirá se mexer direito”. Sim, é frio! Mas os países que possuem temperaturas negativas contam com uma ótima infraestrutura, planejada e executada para que a população não seja afetada pelo frio.

Diferente do Brasil, as construções nos países mais gelados são feitas de madeira, revestidas com materiais que isolam o frio, vidros duplos e, portas e janelas com vedação total contra entrada de frio. Além disso, todas as casas são equipadas com aquecedores e lareiras, o que mantém as residências em temperaturas agradáveis, dispensando o uso de roupas grossas, meias e toucas. Isso acontece também em restaurantes, comércios, carros, metrôs e ônibus, todos preparados e equipados para o frio.

Além das construções e moradias, as roupas nos países mais frios são bem diferentes das roupas de frio que costumamos usar no Brasil.

Quando morei nos Estados Unidos, cheguei por New York e permaneci por lá durante alguns dias. Chegaria no inverno e pela primeira vez, teria a oportunidade de conhecer o inverno nórdico. Porém, dois dias antes de embarcar, a costa leste dos Estados Unidos recebeu um alerta de que enfrentaria uma nevasca histórica.

O primeiro choque foi saber que eu enfrentaria uma nevasca. Depois, ao saber que todos os voos estavam sendo cancelados. Mas o pior foi pensar que eu ficaria trancada dentro do hotel porque eu não teria roupas para suportar o frio e os 90 centímetros de neve que estavam sendo previstos para aquela semana.  O meu voo não foi cancelado e por isso, após o primeiro susto, comecei a planejar com que roupa eu sairia de dentro do aeroporto para enfrentar todo aquele frio que estaria me esperando lá fora.

Foram três camadas de calça, camisetas “segunda pele”, três blusões, um casaco grosso, dois cachecóis, toca, luvas, duas meias e uma bota. É claro que meus movimentos ficaram comprometidos com toda essa quantidade de roupa, mas eu estava quente.

Ao chegar à cidade, primeiramente, acomode-se no lugar que você planejou sua estadia e aproveite a empolgação do primeiro dia e saia para fazer compras de inverno. Em países onde o frio é intenso, é possível achar roupas térmicas e botas apropriadas para andar na neve em todas as lojas, e tudo isso sairá por um preço muito mais acessível do que se forem comprados no Brasil. Além do mais, as roupas lá são feitas para temperaturas negativas, diferente do que encontramos no Brasil. Reservando algo em torno de U$200 dólares é possível comprar calça, blusa, touca, meias térmicas, botas e luvas especiais para neve. Possuindo a primeira camada de roupa térmica, as próximas poderão ser roupas normais e com certeza, você estará quente o suficiente para enfrentar temperaturas negativas.

Aos poucos você se acostuma e entende o quanto é fácil viver em uma cidade fria, e que para a isso, é preciso apenas acostumar-se com o jeito de se vestir. Depois de alguns dias você descobre que a questão não é a quantidade de roupa e sim a qualidade, e que todos os lugares internos são agradáveis e quentinhos.

E as pessoas saem na rua? É, tem muita gente que pergunta isso. Quando acontecem as grandes nevascas, escolas, empresas, comércios e até alguns meios de transporte público permanecem fechados e o governo comunica à todos para que fiquem em suas casas. Porém, isso acontece para que acidentes sejam evitados. Mas fora isso... Sim! As pessoas saem na rua e ao contrário do que dizem, elas não estão mal-humoradas. Estão bem agasalhadas, com seus “baldes” de café em mãos e sorrindo para o sol que às vezes brilha por entre praças cobertas de neve.

Viver em um país frio tem seus prós e contras, como viver em qualquer outro lugar. Mas só quem tem a oportunidade de conhecer a magia de um cenário branquinho entende o quão gratificante é poder morar em um lugar onde possui um espetáculo da natureza tão encantador.

 

por Jéssica Grings