Dicas de uma polonesa

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24/06/2015

Você já pensou em sair do seu país para fazer um intercâmbio, mas fica com medo do desconhecido, ou seja, você se sente inseguro do seu conhecimento do idioma e portanto esta aguardando o momento certo? Pense de novo. O mundo lá fora é muito mais acolhedor do que você imagina e o melhor tempo é agora. Para provar isso, quero compartilhar a minha história com vocês.

Se alguém me dissesse dez anos atrás que até eu fazer meu aniversário de trinta anos ia ter morado em quatro países, eu não acreditaria. Para quem nunca saiu do seu próprio país a perspectiva de ficar longe da família e amigos em uma terra estrangeira, com pessoas estranhas ao redor pode parecer assustadora. Na realidade não é assim. O que é difícil é fazer o primeiro passo, tomar a decisão. Depois tudo fica fácil.

No meu caso tudo aconteceu inesperadamente. Com vinte e um anos, resolvi acompanhar uns amigos que decidiram ir a Inglaterra durante verão para passar 2 meses trabalhando. Naquela época a libra britânica valia seis vezes mais do que a moeda polonesa, então era um bom incentivo para sacrificar as férias na Polônia e ganhar dinheiro no exterior. Mesmo falando muito pouco de inglês achei uma boa ideia me inscrever nessa aventura.

Logo depois de chegar na Inglaterra percebi que tudo era mais fácil do eu imaginava. Adorei encontrar várias culturas e aprender sobre elas enquanto praticava o meu inglês todos os dias. No começo não estava conseguindo entender direito o que as pessoas falavam, mas depois de um mês, eu já havia feito um progresso imenso. Com tempo comecei a gostar ainda mais do novo ambiente e assim que dois meses, viraram seis anos.

Primeiro, me matriculei em um colégio onde fiz um curso de preparação para o IELTS, para poder entrar na universidade. Consegui passar na prova e começar a faculdade. Após um ano de estudos, fui passar minhas férias no Brasil. Durante a viagem me apaixonei pela língua portuguesa e voltei para Inglaterra já tendo um plano de me mudar para o Brasil quando terminar os estudos.

Quando finalmente cheguei no Brasil pela segunda vez, já sabia que tudo ia dar certo. Mesmo sem acomodação confirmada e sem trabalho, tinha muita confiança que as coisas iam se ajeitar. A experiência de ter morado no exterior faz com que nada e impossível e o mundo parece muito mais hospitaleiro. O tempo mostrou que eu estava com razão. Com ajuda e o apoio dos amigos que conheci no Brasil, consegui superar todos os obstáculos. Quanto a aprendizagem do idioma, foi mais fácil do que na Inglaterra, pois tive mais coragem de falar sem medo de cometer erros. Durante um ano que fiquei no Rio de Janeiro, aprendi bastante português para me comunicar tranquilamente, apesar de nunca ter feito nenhum curso.

A saudade do meu pais me fez voltar para Polônia para ficar com a minha família. Ao retornar gastei um bom tempo contemplando os passados sete anos e a influência deles na minha vida. Aos poucos fui percebendo que em comparação com as pessoas da minha terra que nunca viajaram para fora do país, eu exibia mais tolerância, desembaraço e confiança em mim mesma. Sem sombra de dúvida as experiências que tive no exterior me fizeram outra pessoa, me deixaram mais curiosa para explorar o mundo. Essa curiosidade virou motivo da minha próxima aventura.

Desde outubro do ano passado moro em uma ilha encantadora nas Filipinas. E como sempre faço o máximo possível para aprender sobre a cultura daqui, convivendo com as pessoas da Filipinas, que acho muito simpáticas e amigáveis, me faz sentir bem vinda. Essa vez nem preciso estudar o idioma, pois o inglês é uma das línguas oficiais aqui. Agradeço a todas as pessoas admiráveis que conheci e tudo que aprendi até agora morando no exterior, que fez minha vida mais completa, que alargou meus horizontes.

Lembrem que a vida começa fora da sua zona de conforto. Façam o que parece desafiante. Seguindo esse caminho vocês irão alcançar mais satisfação, desenvolver sua criatividade e, no final das contas, perceber que vocês podem ir muito mais longe do que imaginam.

Qualquer dúvida ou sugestão é só deixar seu comentário.

Por Ania Kaminska